Porque alguns não conseguem deixar a Torre

“Você pode tirar os bens de um homem e ele se recuperar, mas se tirar sua fé, vai matá-lo.”

Essa frase expressa uma verdade que todos que trabalham com vítimas de cultos deveriam estar cientes.

Há muitas razões por que as pessoas se juntam a Cultos: solidão, poder, uma fuga da realidade, etc. Às vezes estão apenas curiosas e rapidamente acabam sob o controle de outros, como que por vítimas de hipnose. Pode ser ensinado para a maioria dessas vítimas a encontrar o que estão procurando através de outros pontos de vista, mais construtivos. Eles podem aprender a encontrar amigos de verdade e como mantê-los, como canalizar suas energias em novas direções, e como encarar a realidade.

Há, no entanto, outro tipo de pessoa que se envolve com Cultos: Aqueles impulsionados pela fome de uma causa maior, para dar o seu melhor para alguém ou algo muito maior que si próprios. Estes são aqueles que irão sacrificar tudo para encontrar o Criador do universo, que irão passar a vida inteira procurando os segredos da vida. Muitas vezes, eles são conduzidos ao que parece, pelo destino, talvez até estimulados pela dor física ou emocional como diz a proverbial estória do “grão de areia” em que a ostra eventualmente se transforma em uma pérola.

Mas e se a ostra aborta a pérola na metade da formação? E se a pessoa que tem dedicado sua vida a uma causa, e que encontrou grande satisfação, amigos (bem como a consciência limpa), de repente descobre que a coisa inteira é uma farsa? O que acontece com um homem ou uma mulher que é um verdadeiro crente em um líder de seita ou organização e descobre que não é de Deus, afinal de contas, e está vivendo uma mentira? Poucas descobertas na vida podem ser tão devastadoras.

Esperança para a jornada

Vítimas de cultos não olham facilmente para a igreja cristã em busca de respostas quando se tornam desiludidos com a sua causa. Por que é assim? No caso das Testemunhas de Jeová, há uma razão dupla. A primeira e mais óbvia é que eles foram ensinados com grande dose de preconceito sobre as igrejas: elas supostamente ensinam falsas doutrinas, adoram ídolos, estão cheias de imoralidade e disputas pelo poder, e eles adoram um falso deus trinitário.

Como se isso não fosse razão suficiente, eles podem perceber algo que falta em termos de idealismo, e desta vez podem não estar erradas. No entanto, o que poderia um Culto como as Testemunhas de Jeová oferecer que muitas igrejas cristãs não poderiam?

A resposta é evidente quando você descobrir como muitos cultos nasceram. Seus motivos não foram totalmente ruins.

Frequentemente, tal como no caso de Jim Jones e o Templo do Povo, houve uma causa moral que impulsionou o movimento. No caso do Templo do Povo e Jonestown, foi uma reação contra a intolerância racial e o preconceito. Muitos jovens idealistas foram atraídos por uma atmosfera refrescante de fraternidade e liberdade. O que eles não suspeitavam era que Jones era instável e se tornou corrupto, criando muito mais o mal que o bem em sua luta. Seus seguidores, que se doaram completamente sobre (o que eles pensavam ser) uma boa causa, foram incapazes e sem vontade de ver o seu verdadeiro caráter.

Eles foram como algumas Testemunhas de Jeová que David Reed descreve como sendo “como uma adolescente apaixonada que se ilude sobre cada palavra de seu namorado, a Testemunha que encontrou tal satisfação emocional na organização tem o prazer de aplaudir tudo o que a seita diz.” Como salvar seu amado da Torre de Vigia, p. 137.

Testemunhas de Jeová, uma vez conhecidas como Estudantes Internacionais da Bíblia, começaram numa época em que muitos estavam esperando o retorno de Cristo e entender mais plenamente as profecias bíblicas. Ao contrário de muitas das igrejas ao redor, os Estudantes da Bíblia eram pessoas humildes que diziam amar a Cristo, e eles viram uma causa maior no movimento. Em contraste, muitas das igrejas estavam mornas e envolvidas em algum grau no mundo e sua política. O êxtase de estar envolvido em uma causa tão superior cegou os Estudantes da Bíblia para o envolvimento de Russell em numerologia e piramidologia, em como ele procurou determinar o calendário secreto de Deus. Russell foi um líder carismático, e seus seguidores como os de Jim Jones, praticamente o adoraram.

Hoje as Testemunhas de Jeová servem de forma semelhante a organização coletiva do “escravo fiel e discreto”, ao invés de doutrina. Isto pode ser demonstrado pelas doutrinas em constante mudança das Testemunhas de Jeová, que estão dispostas a ensinar qualquer nova verdade que venha de Brooklyn. Eles afirmam servir ao Senhor, mas o Senhor só é conhecido através da organização – tanto quanto Cristo só foi conhecido através de Jim Jones (pelo menos de acordo com o Templo do Povo).

A maioria dessas testemunhas são sinceras e um grande número realmente estão buscando a Deus. “Quando” e “se” eles chegarem a um melhor discernimento, o que podemos oferecer-lhes?

O contato com outros sobreviventes

Um dos fatores mais importantes na recuperação daqueles que estão deixando a Torre de Vigia (ou pensam sobre isso) é conversar com outras pessoas que passaram pela mesma situação. Esta é provavelmente a ferramenta mais útil em dissipar o medo de sair (confraternizando com outras ex testemunhas).

Porquê pessoas desassociadas defendem muitas vezes a Torre de Vigia.

Que surpresa é para muitos quando encontram pessoas que defendem as Testemunhas de Jeová, tanto na crença e prática, e descobrem que elas estão desassociadas e não mantém contato com as Testemunhas de Jeová!

Poderia se pensar que estar longe da Torre de Vigia por um tempo lhes permitiria investigar os ensinamentos da Torre de Vigia, e descobrir seus erros. Mas isso muitas vezes não é o caso. Por quê? Aqui estão alguns fatores controladores da mente:

Culpa

Muitos que deixam a Torre de Vigia estavam “praticando o pecado”, tal como definido pela Bíblia ou talvez apenas pela Torre de Vigia (como fumar ou comemorar feriados). A consciência da vítima está dolorida, constantemente lembrando-o de seu erro, e também impedindo qualquer análise objetiva da própria organização (como os ensinamentos e história). Qualquer esforço para examinar “a literatura apóstata” ou até mesmo para voltar e ler Literatura antiga, seria encarado como uma tentativa de justificar seus próprios pecados, conduzindo a mais culpa.

Medo

O medo agora assume o controle, como a Testemunha desassociado está convencido de que o diabo está para tropeçar e confundi-lo ainda mais, especialmente ao permitir que as dúvidas sobre a organização (que é “duvidar do próprio Jeová”). O medo da punição de Deus continua a “proteger” a vítima por muito tempo depois de sair. Qualquer tentativa de investigar criticamente a Torre de Vigia é reprimido por esse processo eficaz de parar o pensamento.

Caso de amor

Isso se refere ao caso de amor de um TJ com a organização. Embora sendo desassociado, a vítima ainda anseia pelo sentimento de camaradagem, a unidade e a previsibilidade da organização Torre de Vigia. Desde que se tornou tão dependente da organização para tudo, ele agora irá desempenhar o papel do amante abandonado, na esperança de obter a sua “amada” de volta. Uma vez que “a ausência faz o coração ficar mais afeiçoado”, cada pequena dor e luta irá lembrá-lo da organização “mãe”.

O que se pode fazer

Qualquer tentativa de corrigir uma vítima que luta com o acima pode gerar rejeição instantânea. Eles são movidos por impulsos poderosos plantadas pela organização quando se juntaram. Ao invés de tentar argumentar com esses usando a Bíblia, poderá revelar-se muito mais eficaz levá-los para ouvir o testemunho de alguém que é um ex membro de outro Culto, e como eles lutaram com o mesmo tipo de medo, culpa, e talvez até mesmo um “caso de amor” com sua organização.

Lutas paralelas na vida dos outros, pode ser o que é necessário para abrir suas mentes.

por Randall Watters

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