Apocalipse: É realmente sobre nossa geração?

As Testemunhas de Jeová acreditam que o livro Bíblico de Revelação (ou Apocalipse) oferece um relato do que há de sobrevir dentro de suas vidas. Isso não é exclusivo das Testemunhas de Jeová, mas compartilhado por vários outros grupos religiosos chamados de “Milenaristas“.

Um fato que não é bem conhecido (exceto por historiadores e estudiosos sérios da Bíblia) é que toda geração nos últimos 1900 anos acreditou que “o fim” viria durante suas vidas. É óbvio que cada geração estava errada. No entanto, cada geração sucessiva está convencida de que a profecia do tempo do fim é sobre eles e sua geração – inclusive a nossa.

A maioria dos estudiosos da Bíblia acreditam que o livro de Revelação (também chamado de Apocalipse de João) não foi escrito para descrever o futuro das pessoas que vivem hoje. Em vez disso, eles sentem que foi escrito para os cristãos do primeiro século que viveram em Roma e em torno dela.

Embora o livro Bíblico de Apocalipse seja um documento bastante bizarro pelos padrões de hoje, todos os tipos de livros apocalípticos eram bastante comuns no mundo antigo.

É fato que havia muitos “apocalipses” judeus e cristãos escritos na antiguidade, por isso não é difícil decifrar o gênero literário para esse tipo de livro. Um “apocalipse” relata visões ou sonhos bizarros experimentados por um “profeta”. O profeta usa essas visões para explicar a natureza de alguma realidade, muitas vezes na tentativa de mostrar “o verdadeiro significado da vida aqui na terra”, ou no caso de Apocalipse, descrever como Deus em breve destruirá toda a vida na Terra.

Os escritos apocalípticos contêm visões simbólicas estranhas, onde os eventos futuros são descritos em termos metafóricos. Um exemplo disso está em Apocalipse 17, onde João vê “a grande prostituta de Babilônia”. Ele relata que a “prostituta” de Babilônia cometeu fornicação com os reis da terra e que a viu sentada em uma “fera escarlate com sete cabeças”. Ele explica mais tarde que ela é “a grande cidade que governa os reis da terra”. Então, como podemos determinar quem era a “grande prostituta” que João estava descrevendo?

Pergunte a si mesmo, como também se perguntaram os historiadores da Bíblia, qual cidade governou o mundo no final do primeiro século? Que cidade perseguiu os cristãos e foi construída sobre sete colinas? Os leitores que viveram durante os dois primeiros séculos teriam imediatamente reconhecido a então poderosa cidade-estado de Roma como “a prostituta” descrita por João.

Apocalipses são escritos para enfatizar que o “fim de todas as coisas” é iminente. Eles prometem libertação e que o sofrimento do leitor não vai durar muito tempo porque Deus em breve trará toda a história humana para um clímax retumbante. No livro bíblico de Apocalipse, a ênfase é focada apenas neste ponto: “O Senhor Jesus vem depressa.” O autor escreveu para encorajar os leitores em seu próprio sofrimento, e que “Deus está no controle, e logo trará um fim para sua dor. Não desista da esperança, pode confiar que Deus trará todas as coisas para um final feliz.”

Os primeiros cristãos teriam sabido que “666” era o nome em código numérico para Nero, imperador de Roma. A “besta” simbólica mencionada em Apocalipse 13, Nero era “o grande inimigo de Deus” porque tinha escolhido perseguir cristãos em todo o seu império. Apocalipse promete que a ajuda de Deus estava a caminho para destruir “a besta e a prostituta”. O verdadeiro propósito de João ao escrever Revelação era trazer conforto e esperança aos leitores que viviam durante sua vida.

Se você está procurando a verdade e uma compreensão melhor e mais detalhada do Apocalipse, bons livros estão disponíveis. Dois excelentes pesquisadores que escrevem em linguagem fácil de entender são Craig Koester e Bart Ehrman.

Se você está decidido em sua crença que João escreveu Revelação para você, para mim, e para nossa geração em particular, então pode ter certeza que tem o apoio total da Sociedade Torre de Vigia.

Por outro lado, esteja ciente que a Torre de Vigia está ocupada reescrevendo sua história de 133 anos de interpretações falhadas do Apocalipse, que remontam aos dias do Pastor C. T. Russell e do Juiz J. F. Rutherford. Embora eles não neguem exatamente essa história, as publicações atuais da Torre de Vigia tentam consistentemente passar por cima ou apagar qualquer memória de suas falhas passadas em entender adequadamente o Apocalipse.

Eu poderia estar errado. Talvez eles estejam certos desta vez. Poderia mesmo ser possível que realmente tudo seja sobre mim e “minha geração”.

Uma reflexão e uma pergunta

É interessante notar que a maioria dos “apocalipses” foram escritos sob os nomes de pessoas famosas do passado como Moisés, Abraão, Elias – e sim, até mesmo Adão. Um livro que quase chegou à Bíblia é o Apocalipse de Pedro – por um autor que afirmou ser realmente o apóstolo Pedro. As comunidades cristãs existentes até o século IV acreditavam que este livro deveria ser incluído no cânon, quer para substituir a Revelação de João (Apocalipse), ou incluído junto com ele no cânone aprovado.

Se o Apocalipse de Pedro tivesse se tornado parte da Bíblia em vez do livro de Apocalipse de João, teria sido possível para um grupo religioso como as Testemunhas de Jeová ter visto a luz do dia? Sem o livro de Apocalipse de João não há Armagedom, nada de 144.000, e nenhum “novo mundo justo” onde os sobreviventes do Armagedom viverão para sempre.

Vamos encarar o fato de que sem o livro de Apocalipse de João não haveria Torre de Vigia, nem Despertai! – e nenhuma Testemunha de Jeová.

Revelation: Is It Really About Our Generation?

Postado por  em 20 Março de 2013 em Watchtower Watch

Um Comentário

  1. Luiz Henrique Romanin

    Legal! Não sou TJ, mas conheço vários. Você cita que o Apocalipse não foi escrito para nossa geração. Como o interpreta? Eu entendo, apesar de odiar rótulos, que o preterismo é a melhor explicação. Os termos “brevemente devem acontecer”, “não seles este livro porque o tempo está próximo”, diferentemente do que é dito a Daniel “sele este livro, que é para o tempo do fim”, na verdade o fim era para aquela geração má e perversa de judeus.
    Não teria lógica João levar uma mensagem de esperança para aquelas igrejas se fosse para dois mil anos depois.
    Por que quando pessoas deixam as outras denominações fundam outras, tipo, Assembleia de Deus, além das 3, que já saíram de uma, a saber, pela ordem, Belém, Madureira e Ipiranga, temos centenas delas, Batistas, temos centenas, das tradicionais a renovadas. E por que quando um TJ deixa o Salão não funda uma outra? Há alguma denominação que saiu das TJ´s?
    Ah! Não frequento denominação alguma, kkkk, não encontrei isso ainda nas escrituras. Já fui do Belém, AD.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *