A desilusão invencível

Eu entrei para as Testemunhas de Jeová pelo útero e saí pela porta dos fundos. Eu tive que superar a negação, a desilusão invencível, e admitir intimamente que algo aconteceu comigo. Mas porquê, se não procurei, se não pedi, e nem mereci isto? Algo aconteceu comigo, mas porquê? por quem? porquê eu? porquê alguém? Primeiro, eu tive que entender o que aconteceu. Então eu tive que entender quem fez. Então eu tive que entender porque foi feito. Então eu tive que entender como tinha terminado, e finalmente eu tive que procurar pela solução. Eu tive que escrever exatamente o que aconteceu, por quem, como, e porquê. Assim sendo, tracei meus planos para o futuro.

Eu escrevi minhas novas convicções e as razões por que elas eram minhas convicções. Eu fiz um estudo do problema, e eu precisei fazer isso, mas continuei estudando o problema mesmo depois que o entendi como resultado esperado. Quer dizer, eu entendi melhor o problema. Entretanto, a um certo ponto, tive que começar a estudar a solução. Depois que identifiquei o problema e fui procurar a solução, encontrei o que sempre encontrava quando procurei algo, balconistas! Todos eles tinham a solução. Toda solução era melhor que todas as outras soluções. Resumidamente, procurar a solução se tornou o problema.

Uma pobre “ovelha” que obtém sua nutrição material de uma instituição de caridade, me disse que se eu não entendesse e aceitasse Deus da maneira como ele o entendeu, que o deus dele me queimaria num lugar chamado inferno, com fogo de verdade. Outro me disse que a razão que ele sabia que tinha o verdadeiro Deus era porque o deus dele tinha destruído milhares e milhares de pessoas, mulheres, homens e crianças, até mesmo os bebês, e ele disse que o deus dele me mataria também, a menos que eu seguisse seu cardápio especial de comportamentos aprovados.

Eu cheguei a conclusão que de uma forma geral, nosso problema era bem parecido. A maioria de nós pode concordar no problema, até mesmo em outras perspectivas dele. De certo modo, estamos unidos por um inimigo comum. Nada que eu vi une tanto as pessoas como um inimigo, e nós temos a ilusão de um. Um bem grande.

Eu observo algumas pessoas, não necessariamente ex-Testemunhas de Jeová, que trabalham de dia e dormem nos problemas. Elas estudam o problema. Elas leem livros escritos por outras pessoas sobre o problema. Elas escrevem seus próprios livros sobre o problema. Elas são obcecadas com o problema a ponto que estudar o problema se torna um hábito. O problema se torna o problema, e elas ficam infelizes, ou ficam deprimidas, ou ficam violentas…

Quando eu estudo o problema eu entendo melhor o problema. Quando eu estudo a solução, eu entendo melhor a solução. Quando eu encher meu dia do problema, então eu vivo no problema. Quando eu encher meu dia da solução, então eu vivo na solução. Quando eu falo em ajudar outras pessoas, não sinto qualquer melhora. Quando na verdade saio e ajudo outras pessoas, então me sinto melhor. Quando discuto com qualquer um, até mesmo uma Testemunha de Jeová, me sinto mal. Quando eu abraço alguém, me sinto bem. Porquê eu não desejaria me sentir bem? Se nunca funcionou no passado, eu aposto que não funcionará no futuro.

Eu acredito que as soluções individuais são diferentes para cada um de nós, mas também acredito que os princípios que conduzem as soluções são axiomas que são tão claros e aceitáveis quanto a chuva, gravidade, comida e sono. Eu vejo muitos perdendo as coisas simples que funcionam porque as coisas simples que funcionam são muito óbvias. Eu me vi perdendo minha própria vida porque estava guardando a ordem do dia de meus pais, ou de meu sogro, ou de meu irmão, ou de minha esposa, ou de minhas crianças. Eu estive descontrolado e precisei de algo.

Poder é uma realidade, ao passo que controle é uma ilusão. Poder também pode ser  uma droga. Eu fui a lugares que não queria ir, ver pessoas que não conheci, comprar coisas que não precisava com dinheiro que não tinha, impressionar pessoas que eu não gostei. Eu tive problemas com empregos, relacionamentos, dinheiro, pessoas, lugares, e coisas. Eu sempre estive com pressa. Eu sempre me sentia como se estivesse num palco. Eu sempre tive um sentimento de destruição iminente. Eu sentia como se estivesse pela bola sete em minha própria vida, e que eu era um impostor, e que alguém iria descobrir e me jogar fora. Algo esteve quebrado e eu não pude consertar. Sentimento ruim para um sujeito que precisa se sentir no controle.

A resposta está na resposta. O problema está no problema. Eu me pergunto freqüentemente: Você está vivendo na solução ou você está vivendo no problema? Onde você precisa ir? Você está encabulado naquela direção? Você está contente com sua vida?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *